Onde estão os jornalistas?
Publicado por Carlos Vitor Bezerra em 30.07.2008
Diuturnamente nos jornais, a sociedade é “presenteada” com escândalos envolvendo ocupantes dos mais diversos postos públicos e privados, ministros, juízes, delegados, chefes de poder, banqueiros oportunistas, etc. E os jornalistas, por que nunca figuram nas capas dos jornais? Será que é porque são eles os seus artífices?
O precioso princípio democrático da liberdade de imprensa, ruidosamente entoado pelos jornalistas quando algo os incomoda (e, muitas vezes, com razão), não admite corporativismo na redação. Ao contrário, a falta de denúncias contra membros da imprensa conduz a duas alternativas: ou são profissionais perfeitos ou há algo de errado por trás das câmeras, do microfone, ou, ainda, da tinta negra dos impressos.
Recentemente, a opinião pública pôde perceber a fúria de determinado meio de comunicação em decorrência de denúncia ofertada contra jornalista seu. As matérias relacionadas ficaram tão afetadas que até seu ombudsman teceu “salvadoras” críticas contra elas. Diz-se “salvadoras”, vez que as críticas do ombudsman vão na direção do que parece ser o mais salutar para a sociedade: menos corporativismo jornalístico.
No entanto, uma postura meramente reativa – como é, em regra, no caso dos ombudsmen - é flagrantemente insuficiente para o próprio fortalecimento do caro princípio da liberdade imprensa. Parece que a opinião pública quer ver tão cara idéia republicana em sua expressão máxima, isto é, sem poupar ninguém, nem mesmo os que fazem o jornalismo.
Carlos Vitor Bezerra: Procurador Federal com atuação na área ambiental junto ao IBAMA e ao Instituto Chico Mendes, graduado em direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE)