Como entender o complexo mercado financeiro e o atual caos
Publicado por Diário A-Ponte em 26.09.2008
Para quem não entendeu ou não sabe bem o que é ou gerou a crise americana, segue breve relato econômico para leigo entender…
É assim:
O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender
cachaça na caderneta aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.
Porque decidir vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).
O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em uma das melhores faculdades norte americanas, e com MBA no MIT, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.
Uns seis executivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS, ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.
Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo esconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).
Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.
Até que alguém descobre que os bêbu da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia sifu.
Autor: Um gênio desconhecido
Diário A-Ponte:
Mais didático, impossível!
Ouvi dizer que o caos decorreu do seguinte:
americanos contraiam dívidas para compra de casas, dando essas como garantia. Uma dívida de 100 mil, por uma casa, juntando com dezenas de outras, eram transformadas em um título que valia 10 milhoes, por exemplo.
Como se sabe, todo empréstimo tem seu risco de inadimplencia. Assim, no caso acima, se 10% não arcarem com seus compromissos, o título de 10 milhoes só gerará recebimento de 9 milhoes.
Tais títulos, portanto, nao poderiam valer 10 mi. Havia uma margem de segurança de 20%, por exemplo.
Daí tiveram a grande idéia de subdividir o título de 10 milhoes em dois. Uma parte fica com 80% (sem risco algum), a outra com 20%, assumindo todo o risco do negócio. Deste modo, se 10% nao pagarem, o título dos 80% continua valendo 8 milhoes, e o dos 20%, passa a valer 1 milhao.
Este pedaço de 20%, que assumia o risco do empréstimo total, era apontado como título AAA, baixíssimo grau de risco (muito menor que do Brasil, que se nao me engano é BB+).
De fato o risco parecia mínimo. Os imóveis subiam de valor há muito tempo, e o indivíduo que deixasse de pagar teria facilmente sua casa refinanciada.
É como um banco fazer empréstimo consignado hoje no Brasil. Ele nunca imagina que o salário de um servidor vai passar de 10 mil para 5 mil/mes.
Mas foi o que aconteceu, e os títulos AAA passaram a não valer nada.
É isso mesmo, ou eu sou mais um perdido nessa crise?