Bestiário: sobre o terceiro mandato, a mídia, chifres, cavalos e touros
Publicado por Marcos Toscano em 29.04.2008
Não sei quanto aos senhores, mas eu já estou de saco cheio de ouvir falar do tal terceiro mandato. Assunto altamente sem futuro, sem cabimento e desinteressante. Mais assustador que isso: completamente artificial. Ao menos em minha humilíssima opinião.
Chamo-o artificial porque não consigo vislumbrar qualquer fundamento sólido para que passemos a debater seriamente o tema. Até onde sei: 1) o Presidente rechaça a hopótese; 2) nenhum político de peso chegou a defendê-la; 3) não há nenhuma movimentação institucional para viabilizá-la juridicamente.
Mesmo assim, o terceiro mandato é um dos tópicos prediletos da imprensa. Como diria o finado Nelson Rodrigues, é batata: toda semana ao menos um grande veículo traz uma matéria metendo o pau no terceiro mandato, dizendo que o Brasil não é mais república das bananas, que não somos uma Venezuela etc. Ok! Mas quem diz o contrário?
A impressão que tenho, na verdade, é que todo esse debate besta (pra não usar expressão mais forte) é fruto de um hercúleo esforço da grande mídia para pautar a discussão política sobre o tema. Só isso explica a bizarra exposição pública de deputados completamente desconhecidos que defendem o terceiro mandato, a presença obrigatória da mesma pergunta boba sobre o tema em entrevistas com integrantes do alto escalão do governo, a constantes colunas de opinião versando sobre o tema.
Acho que todos os que insistem em discutir avidamente o terceiro mandato acreditam que a pichação pública da hipótese criaria uma profunda ojeriza na população, evitando, assim, o mais remoto risco de que algo do gênero venha a ocorrer. Eu, de meu lado, tenho cada vez mais medo que aconteça justamente o oposto.
É bem possível que a insistência da mídia em abordar o tema acabe dando às gentes brasileiras a péssima idéia de apoiar um novo mandato para Lula. Em versão mais popular, diria que a imprensa, por enquanto, está procurando chifre em cabeça de cavalo; pode ser, no entanto, que ela mesma acabe transformando esse cavalo em touro.
Marcos Toscano: Marcos Toscano é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental e faz Mestrado em Filosofia na Universidade de Brasília.
Caro Toscano, parabéns pelo texto.
De fato, a atuação da grande mídia, a respeito do terceiro mandato, nada mais representa do que mais uma prova da extrema superficialidade dos grandes veículos de comunicação social existentes em nosso país, os quais parecem cada vez mais distantes dos problemas efetivamente graves que afligem o Brasil, como, por exemplo, a grave crise de nosso sistema carcerário, com seus presídios que mais parecem campos de concentração.
É lastimável como tentam, a todo custo, fazer dele um verdeiro assunto da moda, semelhante ao caso Renan e outros.
Um abraço.
Caro Vitor,
O seu artigo contém uma visão realista do momento que vive a Administração Pública, principalmente a Federal. Percebo que você está sentindo a mudança que estamos vivendo, e temos que mudar para melhor, pois o mundo atual é competitivo e não deixa margem a dúvidas e vacílos diante de tomadas de decisões, prontas e rápidas. Quiçá, os novos gestores empreendam maior competitividade na gestão pública diante da iniciativa privada.
Parabéns, pela visão que você teve no seu artigo, da grande esfinge brasileira que com razão caminha a passos lentos e solitário nas mãos de chefes recalcitrantes e burocratas do serviço público.
Marcos,
Concordo contigo. À intenção da imprensa de desgastar o tema do terceiro mandato para evitar risco disso acontecer, deve-se acrescentar o objetivo de desgastar Lula, o Governo e, por via, indireta o próximo candidato escolhido por ele. Isso porque, chega a ser obscena a defesa de um terceiro mandato, então associar, ainda que artificialmente, o tema ao Presidente, dirigi revolta contra ele.
Além disso, assentada a suposta intenção de um terceiro mandato, passa a idéia de que o candidato sucessor é fraco, porque, se assim não fosse, não haveria tanta correria para um terceiro mandato.
Abraço!
Vitor
Sr. Marcos Toscano, me chamo Marcos da Cruz Toscano, e todos me conhecem e me chamam por Marcos Toscano (Tenho 47 anos, e sou de Abril/1961).
Meus Avós eram: Augusto Toscano e Itália Marcon Toscano, e eram naturais de Piracicaba, SP, ambos filhos legítimos de pais imigrantes italianos.
Minha irmã chama-se Marcia da Cruz Toscano e todos à conhecem e chamam por Marcia Toscano.
Qual sua origem ?
Eu, e minha família (irmã e sobrinhos, mulher e filhas e primos) somos todos naturais de S.Paulo-SP com excessão dos pais e tios Toscano (Piracicabanos). Somos naturais e residentes do Bairro do Ipiranga.