A-Ponte | Grupo Político Seis de Março

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Brasil via Paris: Descobertas de um estudante brasileiro no país dos bricoleurs

Publicado por Luciano Oliveira em 14.10.2008

Pour Philippe, Roméo et Olivier

Parodiando Gilberto Freyre, no outono de 1986 vivi a aventura do exílio! Um “exílio” com aspas, bancado por uma bolsa de estudos do governo brasileiro para fazer um doutorado no exterior. A França foi o país escolhido. Lá passei quatro anos, de onde voltei com uma tese e o olhar antropológico que ainda hoje uso para observar meu país. Olhar de antropológo amador, certo, que comecei a desenvolver naturalmente, sem nenhum preparo ou projeto, feito o burguês fidalgo de Molière que fazia prosa sem o saber.

Não há nenhum mérito nisso, pois todo viajante é um antropólogo natural. Ao cairmos em ambiente estranho, somos naturalmente levados a observar coisas com que não estamos acostumados e que, por isso mesmo, achamos estranhas. Hábitos, costumes, gestos, expressões etc., porque são familiares aos que lá vivem, passam completamente despercebidos da população « nativa » e chamam nossa atenção. Continua…

Ecos do porão - A “guerra suja” mais de 30 anos depois

Publicado por Luciano Oliveira em 5.08.2008

No longínquo ano de 1976 passei uma semana de horror, com medo de ser preso e torturado para confessar sabe lá Deus o quê! Oito dias antes do carnaval daquele ano, no fim de tarde de uma inesquecível sexta-feira, alguns colegas da faculdade e conhecidos do meio político e sindical começaram a “desaparecer”. Passaram pelo calvário hoje em dia tão conhecido: incomunicabilidade, capuz e choque elétrico! Tinham sido presos pelas forças de segurança do regime militar que começava a se desagregar, mas ainda tinha fôlego para tais ignomínias. O episódio foi um de seus estertores, e teve lugar na cidade de Aracaju. Uma semana depois, quando reapareceram, todos tinham marcas de tortura. Eram acusados de tentar reorganizar o Partido Comunista ─ o qual, aliás, sempre foi contra as teses da luta armada… Ainda lembro meu pai, pequeno comerciante e até então um entusiasmado defensor do regime, murmurando indignado: “São uns nazistas…”

A tortura marcou a história do país até hoje. Uma história que teima em não passar. Continua…

Abaixo o som alto! - Plataforma para um candidato nas próximas eleições

Publicado por Luciano Oliveira em 25.07.2008

Cada vez que eleições se aproximam, penso no problema do barulho e fico sonhando com a possibilidade de que algum candidato, finalmente, faça esse assunto entrar na sua plataforma política. Acho que tenho poucas chances de interessar alguém. Afinal, as campanhas eleitorais no Brasil, como tudo por aqui, são também barulhentas! Nesse caso, como fazer me ouvir? Vou tentar, valendo-me de um argumento utilitarista. Continua…

A FÉ E A MONTANHA - Notas sobre a idéia de ressocialização penal

Publicado por Luciano Oliveira em 15.07.2008

Uma velha mensagem bíblica diz que a fé remove montanhas. Trata-se de uma afirmação que o filósofo Karl Popper chamaria de não-científica, na medida em que não pode ser ─ utilizando ainda os seus termos ─ “falsificada”. O que vem a ser isso? É simples. A afirmação: “a maçã cai sempre para baixo”, que segundo a anedota permitiu a Sir Isaac Newton formular a lei da gravidade, é científica, na medida em que se um dia a maçã “cair” para cima, a teoria newtoniana terá sido “falsificada”, e então teremos de revê-la. Pois bem: voltando às Santas Escrituras, a afirmação sobre as montanhas que podem mudar de lugar por força da nossa fé não se presta a esse exercício, pois o crente sempre poderá dizer que a fé não foi bastante para fazê-la mudar de lugar!

Essa reflexão pouco ortodoxa ocorre-me às vezes quando participo de discussões acadêmicas envolvendo pessoas com perfil militante e elas, ao terem de encarar repetidas vezes a frustração de não verem seus objetivos realizados, em vez de se debruçarem sobre a hipótese da irrazoabilidade dos objetivos ou dos caminhos para atingi-los, reafirmam nos mesmos termos objetivos e caminhos, e se põem a tarefa de persegui-los com mais ardor ainda ─ nos termos da metáfora, com mais fé… Pois bem: ao ser convidado para participar de uma mesa-redonda sobre violência prisional, onde falaria sobre a questão da ressocialização dos presos, a reflexão herética ocorreu-me mais uma vez, e me pus a refletir de maneira provocadora sobre a seguinte interpelação que faço em primeiro lugar a mim mesmo: e se deixássemos de pensar nisso? ─ na idéia de ressocialização? Continua…

O caso Nardoni e a justiça do populacho

Publicado por Luciano Oliveira em 12.05.2008

Impossível conter a indignação. E submeter a linguagem aos bons modos. Esse caso Nardoni, se alguma prova ainda era necessária, está mostrando que a sociedade brasileira desceu a níveis de baixeza incompatíveis com formas civilizadas de convivência. Inclusive na hora de punir! Pois é, acertaram: minha indignação acima não é contra o crime bárbaro que vitimou a pequena Isabela. É contra esse circo de horrores montado em torno dos acusados, onde se reúnem, numa simbiose perfeita, o nosso pior jornalismo com o nosso populacho mais escrachado! Continua…

O MENINO MALUQUINHO NÃO ERA BOBO: Ziraldo e outros indenizados célebres da ditadura

Publicado por Luciano Oliveira em 21.04.2008

Leio nos jornais que Ziraldo, um dos mais famosos cartunistas brasileiros ─ autor do Saci Pererê que alegrou minha infância e do Menino Maluquinho que alegrou a infância da minha filha ─, vai ganhar mais de um milhão de reais e receber uma pensão até o fim dos seus dias pela perseguição que lhe moveu o regime militar há mais de trinta anos. A notícia talvez inspire o mais engraçado bufão da nova direita brasileira, Diogo Mainardi, a escrever que nesse caso só resta esperar que ele não viva muito… Brincadeira à parte, é lamentável que figuras do porte de Ziraldo Alves Pinto, cuja estatura cívica a minha geração tanto admirou, venham agora ingressar na fila de indenizados da ditadura no caixa do estado brasileiro. Continua…

A Tortura do Senhor Bush

Publicado por Luciano Oliveira em 7.04.2008

Um dos subprodutos mais perversos do terrorismo à solta no mundo é o fato de que uma prática abominável como a tortura, mesmo permanecendo camuflada por eufemismos, foi adotada e chegou a ser oficializada pelos Estados Unidos. Recentemente o presidente Bush vetou uma lei que proibia certas técnicas de interrogatório como a “simulação de afogamento”, hoje praticada pelas forças de segurança daquele país contra suspeitos de terrorismo. Berço e por momentos refúgio da democracia no mundo, os EUA são hoje em dia um estado-torturador! Continua…

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