A racionalização da injustiça: os pleitos salariais na elite do serviço público - Por Felipe Cavalcanti, João Paulo Resende e Rafael Dubeux
Publicado por Diário A-Ponte em 29.09.2007
Postos diante de situações constrangedoras, ameaçadoras ou potencialmente ofensivas ao ego e à auto-imagem, as pessoas utilizam ações denominadas por Freud como mecanismos de defesa. Trata-se de uma maneira de lidar com a realidade, eventualmente enganando a si mesmo, para solucionar conflitos não resolvidos no nível da consciência. Um desses mecanismos de defesa é a racionalização. Consiste em uma maneira de explicar, por meio da razão, ações irracionais ou imorais. Buscam-se motivos lógicos aceitáveis para – inconscientemente – fundamentar ações inaceitáveis ou eticamente não-recomendáveis.
Somente por meio da racionalização se pode compreender o pleito por aumento salarial das categorias mais abastadas do serviço público. Embora componham o privilegiado 1% mais rico da injustíssima pirâmide social brasileira, vêem-se no direito de demandar aumentos remuneratórios.
As explicações apresentadas são as mais obtusas possíveis: comparação com salários de outra carreira ainda mais distorcida (ou seja, injustiças deveriam ser superadas com mais injustiças, e não com sua supressão); custo de vida alto (imagine para os outros 99% da população que ganham menos…); importância e peculiaridade de sua função (médicos e professores públicos não exercem papel tão importante…); necessidade de atrair bons quadros para a carreira ou evitar saída dos já presentes (embora todos os concursos já contem com inúmeras vezes mais interessados do que vagas, sinal de altíssima procura, além de índice cada vez menor de saída de pessoas da carreira).
Como já assinalado, a carreiras do serviço público que ganham acima de R$ 10.000,00 compõem o 1% mais rico do país. A comparação com salários de outros países demonstra que eles são altíssimos para quaisquer padrões. Os salários iniciais dos integrantes da Polícia Federal brasileira são superiores às quantias iniciais pagas aos funcionários do FBI, instituição de um país várias vezes mais rico que o Brasil. Os advogados públicos federais recebem, em início de carreira, valor superior aos seus equivalentes norte-americanos. Alguns ainda alegam: mas eles têm outros benefícios! É verdade: têm apenas 11 dias de férias por ano e cobranças por resultados muito mais contundentes…
Como se vê, trata-se de um claro mecanismo de defesa de racionalizar uma ação cujos motivos reais são indizíveis, ou ao menos pouco legitimáveis. A alarmante desigualdade de renda no Brasil é alvo da preocupação de todos, desde que não se mexa na própria renda. Todos querem que os pobres ganhem mais, contanto que saia do bolso do outro. O Estado precisa melhorar a qualidade dos serviços públicos, especialmente saúde e educação, mas os salários nossos de cada dia são sagrados e não impedem o aumento simultâneo da remuneração dos profissionais dessas outras áreas – só não se sabe com que limitados recursos. Pelo jeito, serão necessários anos de terapia para superar esse conflito com o ego.
O que mais choca é que pessoas até há pouco envolvidas com movimentos sociais, com reivindicações idealistas, com a crença em que “outro mundo é possível”, estejam agora chafurdando no lamaçal dos pleitos corporativistas, elitistas, patrimonialistas e – por que não a singeleza – simplesmente injustos.
Felipe Cavalcanti
João Paulo Resende
Rafael Dubeux
Diário A-Ponte:
Depois de um certo ostracismo… Cá estou eu escrevendo novamente.
Bem… O que dizer desse texto… Vocês simplesmente detonaram!
Primeiro por conseguir contra argumentar todas as desculpas, digo, todas as teses daqueles q querem um salario ainda maior.
E em segundo lugar por, de quebra, dar um “tapa de luva” nessas pessoas que irracionalmente (ou racionalmente conforme os próprios) não vêem para uma verdadeira distribuição de renda todos deverão ter certas restrições, sobretudo, salarial
Parabéns pelo texto!
abraços
Caros,
Antes de mais, parabéns pelo texto. Escrito no tom certo, na medida exata. Maravilhosa a conexão com o texto recém publicado do Professor Luciano Oliveira, em que lemos sobre o Renanzinho que habita nossas almas.
Ando assustado com o grande moralismo hipócrita que desde sempre ronda as conversas de bar e paira sobre as rodas de discussão das elites brasileiras (incluídas aí as classes médias). O problema por vezes são os políticos, por vezes os empresários, por vezes os países desenvolvidos e os organismos internacionais. O problema nunca é nosso; é sempre dos outros.
Nosso salário, sempre o mais merecido, deve crescer infinitamente; nossas férias e aposentadorias devem ser sempre mais generosas; nossos títulos os mais pomposos. E o povo que passa fome? Oh, é culpa dos políticos, sem dúvida. Ou dos empresários… Dos outros, é dos outros. Nunca assumiremos nada? Será tudo sempre tratado como herança maldita? Culparemos a colonização, a escravidão de séculos atrás, o regime militar, o PT, os Tucanos?
Meus caros, ando desconfiando que os culpados somos nós. Nós que nos inflamamos e comentamos a vergonha da absolvição de Renan; nós que desprezamos os partidos e a política toda; nós que colocamos sempre como o primeiro problema do país os impostos, não pensando no custo da produção, mas na vontade de comprar mais e mais; nós que reclamamos do preço dos artigos de luxo; nós que julgamos os pobres e ricos (e achamos que somos mais pobres que ricos)… Nós que não vamos às ruas para pedir educação, saúde e distribuição de renda; nós que vamos às ruas pedir salários astronômicos, o que quer dizer menos saúde, educação e mais desigualdade de renda.
Mais uma vez, parabéns pelo esforço feito para demonstrar com clareza que nós também somos culpados.
Abraços,
M.T.
volto aqui apenas pra registrar meus parabens pela pagina, pelos artigos, ha tempos to com um na cabeça e não o digito…
Ótimo texto! Realmente, é imprecionante a capacidade que o ser humano tem de enganar a si mesmo. Seja inventando uma desculpa para não ir estudar ou malhar naquele dia (dor de cabeça, cansaço, compromissos “inadiáveis”, etc), seja embasando racionalmente uma mentira que nos é conveniente. O problema é que estas “auto-enganações” podem trazem consequências não muito boas para terceiros…
Péssimo texto,rs!!! Bom mesmo só o “encaixe” retórico - Freud - que se pode usar pra também justificar argumentos contrários aos defendidos pelos autores. Afinal, pela razão, eu explico vocês, que estão bem irracionais. A exemplos, que ingenuidade, como aplicar um argumento de quantidade pra justificar um de qualidade, ainda que o primeiro seja sintomático* do segundo: “embora todos os concursos já contem com inúmeras vezes mais interessados do que vagas, sinal de altíssima procura, além de índice cada vez menor de saída de pessoas da carreira”; ou termos valoraritivos pra explicar o pseudo- racional: “injustiças deveriam ser superadas com mais injustiças, e não com sua supressão”.
bom, todos são boas pessoas, dotadas de indiscutível sabedoria. Vale pela intençao! Que o filósofo toscano nos ensine, sempre fleumático, mas não menos instigante,rs.
* como muitas outras coisas o são!
Rapaz, quero ver só essa galera renunciar o aumento vindouro! Questão de coerência, por suposto! Espero ver nesse site demonstrativos das instituições de caridade que irão “chafurdar” nas parcelas, de ao menos, três advogados públicos!! rs
A questão é: tendo salários acima da média, como há de haver moral pra os que ocupam carreira de Estado exigirem dos demais? Ora, o raciocínio é inverso. Não dá para brincar com a razão: fora o relativismo axiológico sem propósito! Acho que todos foram radical em sua interpretaçao, ninguém aqui discute a razão como postulado do sumo bem kantiano-pelo menos em são consciencia.. A pergunta é: bons salários beneficiam o Estado em quê? bem aplicado, será que a qualidade não beneficia o estado sem q o transforme no governo de aristocratas medonhos? Creio que beneficia, pois. É bom gritar, em bravo som. O Estado como ara, pronto para eupátridas que se despem da sua riqueza, também é uma quimera!
Por que as pessoas que estão contra o texto não se identificam????
Estão com vergonha??? No mínimo concordam com o afirmado no texto…
Eu voto em proibir manifestações anônimas nesse fórum de debate…vamos falar com Walmar, nosso “moderador”, para fazer isso.
Concordo por inteiro com a posição defendida pelos 3.
Lanço um desafio: que os insatisfeitos com suas polpudas remunerações se comprometam a doar parte do que recebem aos mais pobres. Em nome da justiça social.
Colegas,
fico feliz de ver que ainda exitem pessoas capazes de olhar para além do próprio bolso. Penso exatamente dessa forma e, por uma questão de coerência, não participo das lamentações por melhores salários e condições de trabalho na empresa em que eu trabalho, Caixa Econômica Federal, onde os Advogados são razoavelmente bem pagos.
Outro aspecto relevante que gostaria de mencionar é a disposição desses magnatas do serviço público para o trabalho. Não bastasse receberem altos salários, essa turma produz muito pouco e trabalha mal. É difícil você encontrar um juiz, promotor ou procurador que trabalhe mais de 06 horas por dia. Enquanto a grande massa de brasileiros têm de labutar no mínimo 08 hs.
O serviço público precisa de reformas estruturais urgentes, que passam necessariamente pelo fim da Estabilidade. É preciso melhorar os mecanismos de cobrança, as premiações e, sobretudo, os meios de punição e exclusão dos maus profissionais.
É preciso ter em mente que os concursos públicos são mecanismos importantes de seleção de novos servidores, mas não são perfeitos. Neles não se avaliam capacidade de trabalho, comprometimento, responsabilidade e caráter. Os concursos ajudaram a melhorar a qualidade do pessoal, mas ainda é preciso aperfeiçoar o sistema de modo a excluir as falhas da seleção. Pena que esse assunto arrepia os corporativistas de sempre!
Abraços,
Sílvio.
A dissociação de idéias tão complexas é imprescindível para uma discussão sadia. Estabilidade, aumento salarial e pobreza são assuntos ligados, mas não idênticos.
A luta pelo aumento salarial de qualquer classe tem como valado do legítimo a garantia de independência de um corpo burocrático específico. É uma conquista histórica, qual a estabilidade, de que não se pode abrir mão. E o freio deve estar no exercício da opinião pública, como se exerce neste espaço, que só existe em razão de uma democracia plural, de colidentes interesses.
Falta-nos reconhecer a dialeticidade das instituições.
Num país como o Brasil, de ricas crises estruturais, parece sempre fácil defender idéias modernas de controle de qualidade a todo custo, fim do corporativismo etc. Porém reafirmo o meu respeito a instituições que foram resultado de complexos processos contra o autoritarismo da aristocracia medonha.
Se hoje encontramos falhas, de maus serviços, devem ser corrigidas, mas não se destruindo o passado na crença de que novos textos normativos serão perfeitos e aptos a nos dar a solução insolúvel das grandes questões. Isso é próprio dos românticos, do fascismo etc. Qualquer novidade que se defenda é inexorável que também recaia sobre o peso da dialeticidade, e que daí seus defeitos venham á tona; e talvez mais perversos do que os que vemos hoje!
A eficiência do Estado é uma agenda moderna que deve ser vencida a qualquer custo, mas não de forma pueril e ingênua, a toques de mágica, decretando-se de forma irracional o pensamento bem vindo da gestão corporativa.
Ora, os salários da iniciativa privada, ou a máxima eficiência lucrativa, não devem ser anseios de um agente estatal, ao menos daqueles que têm consciencia de sua importância na intricada malha social!
A construção da eficiência estatal é um conceito que estar por vir, e, ao meu ver, não passa pelo sacrifício salarial das carreiras de Estado num pais de esfomeados; ao contrário, o ponto de partida é o fortalecimento conjunto, e não pode ser outro que a cobrança qualitativa pelo aprimoramento do serviço público em suas áreas estratégicas – saúde, educação justiça etc.
Caro “Marinaldo” e demais,
Não se está, com o texto, buscando reduzir o papel do Estado.
A questão é outra: quais os cargos que devem ser considerados estratégicos para o Estado no longo prazo e, especialmente, quais aqueles cujos salários estão hoje mais defasados?
A resposta, sem dúvida, é que NÃO são os da área jurídica. Esses já recebem bem hoje, não sendo lícito dizer que estão “aviltados” ou não conseguem “atrair bons quadros”.
Em minha opinião, os cargos mais defasados e mais importantes para o país do futuro são os dos pesquisadores de institutos públicos de pesquisa, os dos professores (de todos os níveis) e os dos médicos.
A maior distorção hoje está no salário do MP e da magistratura, que deveria ficar congelado por alguns anos.
A questão, portanto, não é fragilizar o Estado. Pelo contrário: é qual área fortalecer em face da limitação de recursos. Com esses aumentos, estão sendo fortalecidas as áreas erradas. Não é à toa que não serão dados aumentos proporcionais às carreiras que apontei como estratégicas (professores, médicos e pesquisadores). Os recursos são limitados, é preciso reconhecer esse fato.
Quanto ao desafio para doar o aumento salarial, devo dizer que política pública é uma coisa; caridade é outra. Suas premissas são quase antagônicas. Uma visa solucionar os problemas coletivos de maneira coletiva; a outra acredita que esses problemas dependem unicamente de ações individuais. A filantropia não trata de mudanças estruturais. Estamos discutindo neste blog políticas públicas. As soluções para tais problemas passam, necessariamente, por decisões coletivas.
Abraços,
Rafael
Caros,
Não se pode resolver os baixos salários de médicos, professores e pesquisadores, tornando igualmente baixos os salários de algumas carreiras estratégicas do serviço público. Assim, o problema, sob o meu ponto de vista, é a má estrutura burocrática do Estado. Li na última edição da Veja que o percentual de servidores com nível superior vem baixando em relação ao total de servidores. Penso que o Estado deveria concentrar carreiras estratégicas bem remuneradas e subcontratar todas, ou quase todas, as atividades-meio. Há um enxame de servidores com competências meramente burocráticas e um número reduzido de servidores voltados para consecução da atividade-fim do Estado. Em resumo, o texto ataca o problema errado. Ao invés de se preocupar com a racionalização das carreiras do Estado, preocupa-se tão somente com o nível salarial de algumas carreiras estratégicas.
Caro Rafael e colaboradores do blog, o Demerval está com a razão!
Aliás, no fundo, parece que todos concordamos quanto ao fim. O Estado precisa rever o plano de carreira dos seus agentes estratégicos.
De fato, salvo engano, saiu na folha de SP hoje o quanto os pesquisadores ligados a entes da A Indireta estão com seus salários defasados, tomando como referencial os ligados á A Direta, cujos salarios ja sao baixos. Na minha cabeça, não há setor mais importante do que a pesquisa e a educação!
A questão é até que ponto há essa escassez de recursos, para que o bolo seja dividido corretamente. O Estado privilegia as carreiras que lhe dão retornos financeiros ou políticos imediatos, ou, talvez, os que fazem maior lobby, é um critério torto - assinto. Mas, por outro lado, creio ser ingenuidade que o aumento dos advogados públicos signifique retirar o aumento dos pesquisadores, p. exemplo. Na questão salarial dos servidores, não há uma balança simétrica, mas com vários pesos e medidas!
E é claro o risco de estarmos sendo nefelibatas, porque o propalado aumento da AGU talvez nem saia. Contudo, o que não me sai da cabeça é que um dia o ministério propagou a escassez de recursos para qualquer negociaçao, e, n’outro, saiu um aumento que, para todos, não onipresentes á negociaçao, foi uma surpresa.
É difícil falar de controle de recursos daqui, de longe - talvez toscano saiba mais; porém entendo que seria demasia nos sacrificarmos, abrindo mão de um aumento merecido, em nome de um suposto patriotismo cujas premissas envolvem fatos, conforme mostrei, bem problemáticos.
Gostaria, no entanto*, de dizer que admiro a tentativa de estabelecer neste blog uma discusão sobre qual o papel da classe média nas politicas públicas. A classe “dos médias”, para mim, sempre foi a mais espúria, a que mostra de forma nítida a tensão em que o homem vive entre ter um pouco mais e ter um pouco menos, e o que fazer pra tal, para não falar de termos mais chulos.
Arrisco a asseverar que a classe média é a própria natureza do homem, que não se redime, e reconhece sua falibididade quando experimenta um pedaço da riqueza, ainda que minúscula em alguns casos. Bom, mas já estou sendo prolixo e desnecessário! Chega.
* desculpe as adversativas!
Marinaldo, o pobre.
Caros Dermeval e Alfrenaldo,
Dando seqüência às réplicas e tréplicas e daí por diante, escrevo mais uma vez.
De fato, há inúmeras reestruturações a fazer no Estado. Diversas carreiras necessitam de aumentos salariais - inegável. O papel de muitas delas é essencial.
O ponto é: são os cargos da carreira jurídica que precisam mais urgentemente desse aumento? Não se quer reduzir seus salários, mas apenas selecionar onde estão as maiores distorções.
A economia é regida pelo princípio da escassez, e não pelo princípio dos desejos dos atores. Não é possível aumentar as carreiras que já ganham bem e, simultanemante, as demais. Como já se apontou noutro debate neste blog, o que se investe por aluno de escola pública é pífio em face do que seria necessário. A questão, portanto, é para onde direcionar os parcos recursos.
Aqueles que ganham mais de R$ 10.000,00 recebem bem mais do que, em regra, seus correspondentes privados. Ganham mais até mesmo do que seus correspondentes nos países desenvolvidos, com renda várias vezes superior à nossa. É pra esse grupo que concentraremos os aumentos? Ou para professores, pesquisadores e médicos?
Abraço,
Mas é o que eu falei, caro. A questão é:
“Mas, por outro lado, creio ser ingenuidade que o aumento dos advogados públicos signifique retirar o aumento dos pesquisadores, p. exemplo. Na questão salarial dos servidores, não há uma balança simétrica, mas com vários pesos e medidas!”
“entendo que seria demasia nos sacrificarmos, abrindo mão de um aumento merecido, em nome de um suposto patriotismo cujas premissas envolvem fatos, conforme mostrei, bem problemáticos.”
o cerne da questão é essa escassez de recursos falada por vc, rafael. Não há um agente econômico, que siga leis racionais. Por trás de toda essa politica salarial. é complicado “tirar” dos advogados pra dizer que vai pros pesquisadores, entende? nao há correlação no real, só nas ideias. Estou sendo superficial, vc dv saber disso.
Se houvesse essa correlaçao, seria o primeiro a apoiá-lo. Afinal, sou o exemplo claro do que uma faculdade pública pode fazer, ainda que ela esteja aos pedaços, e eu nao tenha ido mt longe, ahahaha.
abs
Rafa,
Compartilho da idéia de que problemas coletivos demandam soluções coletivas.
Mas não acho que exista relação de antagonismo entre política pública e caridade. Doar não resolve o problema de todos, mas certamente alivia o de alguns. Carecem de “justiça social” o país e o vizinho.
Abraço,
Caros comentaristas,
Creio haver uma semelhança ontológica entre a proposta de destinar à caridade o “excedente” oriundo do aumento e o desafio, outrora freqüentemente sugerido a socialistas, de abrigar cidadãos sem-teto em suas residências a pretexto de fazer justiça social. Questão de referencial: se do coletivo para o individual ou vice-versa. Pano pra manga pra um debate mais aprofundado, embora pessoalmente eu mantenha a posicionamento defendido no texto e descarte, por princípio, a vinculação estrita entre filantropia (que já a pratico) e ganhos vultosos.
Um abraço a todos.
Perfeita a saída do Felipe… “não venha aumento, mas se vier, será bem vindo!” Nem se fale nas vinculações a políticas públicas, suso referidas…
Estratagemas retóricos que tais, soam, com tranquilidade, a tentativas desesperadas de buscar coerência com pensamentos antagônicos.
Não que a caridade seja a vala única, na qual desembocaria o excedente salarial expurgado. Absolutamente.
A crítica que é feita reluz, sim, na situação cômoda dos que assinam o texto em baila, os quais repudiam e acolhem, ao mesmo tempo, o provável aumento…
M. Splinter,
Boa mesmo é sua saída: critica os colegas que vêm a público se desgastar ao se posicionar contrariamente ao aumento e, de quebra, ainda omite que embolsou esse mesmo aumento com farto deleite.
Além disso, esculhamba os colegas sem a coragem mínima de publicar o próprio nome, de se identificar. Crítica anônima é fácil…
Para completar, foge do debate central (para quais categorias devem ser priorizados os aumentos) e busca apenas desqualificar a discussão, apelando para a demagogia pueril.
Caboong! Caboong! M. Splinter está certo: - Não que a caridade seja a vala única, na qual desembocaria o excedente salarial expurgado. Absolutamente.
Caboong! Lutemos contra o mal.
Splinter, Michelangelo e todo o resto do elenco das tartarugas ninja: a questão, ao menos pra mim, não é saber o que você e os outros frequentadores do A-Ponte vão fazer com seus salários. Estou me lixando pra isso. Se você quiser doe tudo, ou gaste com terapia, ou vá à Disney pra tirar foto com Mickey. Não tenho a menor vontade de saber da sua vida. O que penso, e acho que os autores também, é que o Estado não deve pagar salários tão altos a esses servidores. E fico, como os autores, chocado com a grande ignorância da maioria desses servidores, que acham que o dinheiro que os paga cai do ceu. Abraço.
ahahahahaha.
De fato, amigo Toscano, o dinheiro não cai. O problema, como já o disse Rafael, é a forma de dividi-lo; e, acrescento eu, quem vai fazer isso, agindo com a probidade que se faz imprescindivel.
odiei essa página se melhorarem eu volto a visitala