Publicado por Diário A-Ponte em 29.09.2007
Postos diante de situações constrangedoras, ameaçadoras ou potencialmente ofensivas ao ego e à auto-imagem, as pessoas utilizam ações denominadas por Freud como mecanismos de defesa. Trata-se de uma maneira de lidar com a realidade, eventualmente enganando a si mesmo, para solucionar conflitos não resolvidos no nível da consciência. Um desses mecanismos de defesa é a racionalização. Consiste em uma maneira de explicar, por meio da razão, ações irracionais ou imorais. Buscam-se motivos lógicos aceitáveis para – inconscientemente – fundamentar ações inaceitáveis ou eticamente não-recomendáveis.
Somente por meio da racionalização se pode compreender o pleito por aumento salarial das categorias mais abastadas do serviço público. Continua…
Publicado por Rafael Dubeux em 26.09.2007
A utilização equivocada de conceitos gera erros graves de compreensão da realidade e pode conduzir as pessoas (ou os governos) a conceberem políticas públicas erradas. Como apontou Albert Camus, em ‘A Peste’: “Os males do mundo provêm quase sempre da ignorância, e a boa vontade, quando não a esclarecem, pode causar tantos danos quanto a maldade.” A imagem do Brasil rico, a divisão das classes sociais brasileiras e especialmente a idéia de ‘classe média’ e de ‘elite’ são exemplos desses erros. Continua…
Publicado por Luciano Oliveira em 26.09.2007
Num consultório médico, o paciente negocia com a secretária o preço da consulta. “É tanto”, diz ela. Ele preenche o cheque e pede um recibo para sua declaração de rendimentos. Ela corrige: “Aí é mais tanto!” Ele preenche o novo cheque e, enquanto aguarda sua vez, assiste na televisão uma reportagem sobre superfaturamento das empreiteiras em obras públicas. Continua…
Publicado por Marcos Toscano em 20.09.2007
Eu nunca neguei as tendências megalomaníacas de meu pensamento político, em especial no que diz respeito à uma preferência pela discussão antecipada de grandes questões que, acredito, eclodirão num futuro próximo. Gosto de discutir os impactos políticos das novas tecnologias, a nova dinâmica da propriedade que exsurgirá da plena interligação virtual do mundo, as novas formas de ocupação do tempo e da energia humanas em uma era que não mais necessitará do trabalho de massa… Continua…
Publicado por Marcos Toscano em 15.09.2007
Lembro-me bem da época em que eu era um urgentista extremo: defendia transformações políticas radicais que, em tese, transformariam o quadro social do país em um intervalo de poucos anos. Tinha na cabeça um projeto de nação bem construído e acreditava viáveis todas suas etapas. Não lembro muito do conteúdo material do meu modelo, apenas de alguns detalhes mais marcantes: queria acabar com educação e saúde privadas no país, estatizar o sistema financeiro, renegociar a dívida externa e auditar a interna, dar um incentivo massivo para as cooperativas de trabalhadores e por aí vai. Continua…
Publicado por Luciano Oliveira em 9.09.2007
Certas abominações brasileiras chegam a ser monótonas. Considerem essa última desgraça na cadeia pública de Ponte Nova (MG), em que um grupo de presos, em meio a um motim, pôs fogo numa cela onde estavam outros 25 presos. Todos morreram carbonizados. Leiam agora o seguinte comentário: “Encerrado o motim, as autoridades se dedicaram às tradicionais explicações e imputações de responsabilidade, temas que com o passar dos dias vão sendo esquecidos até que a próxima rebelião aconteça”.
Se o leitor pensou que o comentário se refere à desgraça recente de Ponte Nova, errou! Trata-se de trecho de uma matéria da Veja de mais de três anos atrás (junho de 2004), comentando caso praticamente idêntico: a morte de 30 presos numa cadeia de Benfica, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, trucidados por seus colegas durante uma rebelião. Continua…
Publicado por Rafael Dubeux em 4.09.2007
Seria lugar-comum dizer que, para marcar-se como uma administração de esquerda, o governo Lula deveria encampar como prioritária a melhoria da educação e da saúde públicas. O problema nessas duas áreas, porém, não decorre apenas de gestão ou de financiamento. Provém, fundamentalmente, da ausência da classe média. Continua…